Fiems

Contra demissões, empresários e trabalhadores unem-se pela manutenção dos incentivos fiscais

A 2ª rodada dos “Encontros Setoriais da Indústria – Compromisso com o Desenvolvimento”, realizada nesta segunda-feira (20/02), no Edifício Casa da Indústria, em Campo Grande (MS), pelos sindicatos industriais que integram a cadeia produtiva da construção civil, da cerâmica e extrativa mineral, reuniu empresários e trabalhadores com um objetivo em comum: demonstrar união contra a revisão dos incentivos fiscais para a indústria e a criação do Fundo Estadual de Estabilidade Fiscal, que obrigaria as empresas beneficiadas a contribuírem com 10% do que deixam de pagar de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).

Ao discursar para o público presente, o presidente da Fiems, Sérgio Longen, ressaltou a necessidade de união no momento em que empresários e trabalhadores caminham juntos em prol da mesma causa: a manutenção dos empregos e desenvolvimento de Mato Grosso do Sul. “Mais do que nunca os representantes dos sindicatos laboral e patronal se juntem em prol desse importante segmento da nossa economia, que é a indústria da construção”, disse.

“Os setores estão muito bem organizados discutindo seus problemas, seus interesses, e entendo que os temas aqui abordados são muito relevantes porque, se aplicados, quebram a linha de investimentos, de geração de empregos, e no momento em que o Brasil passa, os empresários e trabalhadores estão unidos e vão continuar juntos para continuar avançando no desenvolvimento de sua cadeia”, emendou Longen, em entrevista após o evento.

Também presente nesta 2ª rodada dos Encontros Setoriais da Indústria, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Junior Mochi, voltou a garantir que qualquer alteração nos incentivos fiscais será amplamente discutida com a indústria. “O Estado não pode perder a credibilidade institucional. Nenhuma reforma será votada no afogadilho, a Assembleia Legislativa ouvirá todas as partes envolvidas, e vai esgotar toda e qualquer discussão necessária. Não existe mais ambiente para qualquer tipo de negociação de tributo”, destacou o parlamentar em nome do Legislativo.

Líderes empresariais

Presidente do Sinduscon/MS (Sindicato Intermunicipal das Indústrias da Construção de Mato Grosso do Sul), Amarildo Miranda Melo falou da preocupação do segmento com a revisão dos incentivos e também ressaltou o momento de união entre empresários e trabalhadores. “Vemos com muita preocupação essa questão da revisão dos incentivos fiscais porque, ainda, que a ponta da nossa cadeia não receba incentivos, é extremamente temerário porque outros elos são diretamente impactados e isso pode causar mais demissões. Somente em 2016, 7.100 funcionários da construção civil foram desligados no Estado e isso não pode se repetir em 2016”, disse o dirigente sindical, agradecendo a presença dos trabalhadores da indústria no evento.

Já o presidente da Anicer (Associação Nacional da Indústria Cerâmica) e do Sindicer/MS (Sindicato das Indústrias de Cerâmicas de Mato Grosso do Sul), Natel Henrique Farias de Moraes, alertou para o impacto que o fim dos incentivos traria para o segmento. “A indústria cerâmica gera emprego em todo Estado, estamos presentes em 61 dos 79 municípios, então, vemos com extrema preocupação a possibilidade de revisão dos incentivos. Foram eles os responsáveis pelo emprego de muitos pais de família de diversas cidade do Estado e isso não pode ser retirado assim, da noite para o dia”, afirmou o presidente.

Edemir Chaim, presidente do Sindiecol (Sindicato das Indústrias Extrativas de Corumbá), pediu ao presidente da Assembleia Legislativa que interceda pelos empresários. “Estamos passando por um momento muito difícil em nosso País e precisamos de união. União dos nossos governantes, da classe empresarial e do trabalhador, porque o empresário não pode ser penalizado porque o Governo não fez a lição de casa”, avaliou o presidente.

Prefeito de Rio Verde, Mário Kruger, veio à Capital para falar sobre as perdas que a revisão dos incentivos pode acarretar ao município. “Sem dúvida a indústria é um setor que contribui muito com o desenvolvimento na cidade por causa do grande parque industrial cerâmico instalado ali, que gera empregos e movimenta nossa economia. Qualquer corte de incentivo neste momento já delicado para o empresário será muito prejudicial”, disse.

Trabalhadores

Para o presidente do Sintracom (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de Campo Grande), José Abelha Neto, o momento é de união pelo bem trabalhador. “Entendemos que, sem as empresas, não existe o trabalhador, não há geração de emprego. O momento é de estar junto, e impedir que se tenha mais demissões em massa”, afirmou o representante dos trabalhadores da construção civil da Capital, que lotaram o auditório da Casa da Indústria com faixas e cartazes cobrando a manutenção do emprego.

Presidente da Fetricon/MS (Federação dos Trabalhadores na Construção Civil e do Mobiliário e Montagem Industrial), Webergton Sudário da Silva, considerou que a revisão dos incentivos vai gerar demissões. “No momento em que o País está vivendo, o importante é a preservação do emprego, e para isso, precisamos nos unir com os sindicatos patronais. E aumentar tributos vai gerar diretamente o desemprego”, disse.

Após os posicionamentos das lideranças patronais e laborais, a 2ª rodada dos Encontros Setoriais da Indústria foi encerrada com as palestras “Análise Conjuntural do Setor da Construção”, feita pelo economista Luís Fernando Melo Mendes, e “Importância da Cerâmica na Construção”, com o engenheiro-civil Marcus Daniel.

Os eventos

Com a realização dos “Encontros Setoriais da Indústria – Compromisso com o Desenvolvimento”, os principais sindicatos das indústrias de Mato Grosso do Sul promovem uma série de debates, ao longo das próximas semanas, sobre as melhores estratégias e alternativas para enfrentar as ameaças ao setor no Estado em meio à crise econômica. Durante esses eventos, os empresários têm a oportunidade de debater a geração de empregos e o aumento da produção, mantendo a competitividade das suas indústrias, além de discutir temas de interesse de cada segmento, tais como os caminhos para enfrentar os novos desafios, empregos e produção como base da economia, a crise e as ameaças para a indústria e produção e emprego e competitividade em risco.

Ainda serão realizadas mais duas rodadas dos “Encontros Setoriais da Indústria – Compromisso com o Desenvolvimento” nos dias 6 e 13 de março, sempre no período noturno, a partir das 19h30, e no auditório do Edifício Casa da Indústria, em Campo Grande (MS). No dia 6 de março será realizado a 3ª rodada, organizada pelos sindicatos das indústrias metalmecânicas, plásticas e moveleiras.

A 4ª e última rodada dos “Encontros Setoriais da Indústria” está agendada para o próximo dia 13 de março e será realizada pelos sindicatos das indústrias de alimentos e bebidas, frigorífica, panificação e laticínia. Os eventos são organizados pelo Sindivest/MS, Sindigraf/MS, Sindical/MS, Sinduscon/MS, Sindicer/MS, Siams, Simemae/MS, Sindepan/MS, Sindimad/MS, Sicadems, Silems, Sindiplast/MS, Sindiecol e Biosul.

*Fonte: Fiems