‘Senhor Machado’: mais de meio século de lutas e conquistas na área da Representação Comercial
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| Senhor Machado recebeu a placa de Honra ao Mérito das mãos de seu amigo de 'longa data' João Teixeira da Cruz, este que no ano passado também foi homenageado na categoria "Pioneirismo". Foto Assessoria de Comunicação do CORE-MS |
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Mais de meio século de trabalhos prestados à representação comercial e histórias de vida e profissional marcadas por muitos sacrifícios e conquistas, credenciaram Edvaldo Machado Pedreira a ser homenageado, neste ano, pelo Sindicato dos Representantes Comerciais Autônomos e Empresas de Representações do MS (SINRECOMS) com o título de “Pioneiro”.
O senhor Machado, que completou os seus 88 anos no último dia 5 de setembro, jamais imaginava que seria presenteado no mês de seu aniversário pelas entidades representativas de sua categoria, SINRECOMS e CORE-MS, com o honroso mérito.
O primeiro registro profissional da Representações Pedreira Ltda – ME foi feito no Conselho Regional dos Representantes Comerciais do Estado de Mato Grosso – COREMAT, em 1º de fevereiro de 1987. No auge de sua carreira, o representante chegou a atender 15 municípios do então Estado do Mato Grosso.
No CORE-MS, a carteira da empresa foi assinada em 15 de abril de 1988. O representante teve como principal atuação o segmento de alimentos.
Aos dez anos de idade, na cidade de São Gonçalo dos Campos – BA, Machado já teve sua primeira experiência na área de vendas, trabalhando como balconista. Aos quinze anos, mudou-se sozinho para Salvador, onde também trabalhou como balconista.
Depois de atuar em várias outras áreas, Machado voltou a ter contato com o setor dos negócios em 1958, em Aquidauana, quando já se encontrava casado há dois anos com a mato-grossense Sinai Monteiro Soares. Na época, o casal criava uma menina chamada Maria dos Santos, que tinha por volta de 9 anos de idade.
Em 1966, Machado e sua família mudaram-se para Campo Grande. O casal teve dois filhos, Renato e Soraya. Nesta fase da vida, o representante chegava a ficar mais de um mês viajando em busca dos clientes.
Senhor Machado lembra que tudo era muito difícil. Não existiam estradas pavimentadas e era muito demorado até mesmo para que uma correspondência chegasse ao seu destino.
Quando estava prestes para completar 12 anos de casado, uma infelicidade abateu a família com o falecimento de Sinai. Na época, Renato tinha 10 anos de idade e Soraya, somente dois anos.
Com a ajuda de Maria dos Santos, a “Tia Maria”, a qual é considerada por Renato e Soraya como um anjo que entrou em suas vidas, o senhor Machado continuou a sua labuta nas estradas. Só que, com uma diferença, saía às segundas-feiras e retornava aos sábados. Em período de férias escolares, fazia questão de levar os filhos nas viagens.
Exemplos de amor à profissão
Foram muitos os obstáculos que poderiam afastar o senhor Machado da Representação Comercial. Mas, ele, de forma persistente, continuou sua luta sempre como um apaixonado pela profissão.
Em sua trajetória profissional, senhor Machado enfrentou um acidente automobilístico em 1972. Ao retornar de Cuiabá, parou em Rondonópolis. Na manhã do dia seguinte, perto da Serra do Roncador, o carro capotou, atirando para fora a mala e a pasta de trabalho do representante. O veículo incendiou-se, mas Machado conseguiu sair praticamente ileso. Ele só teve algumas queimaduras leves nas mãos porque tentou salvar uns passarinhos que transportava no carro.
Traumatizado com o acidente, Machado passou quase dois meses sem dirigir. A empresa na qual trabalhava colocou à sua disposição um motorista para acompanhá-lo nas viagens. Depois de passar o pânico, ele voltou a dirigir, não passando dos 70 quilômetros por hora, velocidade que lhe rendeu o apelido de “tartaruga”.
Apesar do susto, Machado nunca pensou em desistir. Na balança sempre pesou mais as conquistas e os episódios engraçados que aconteciam durante as viagens. Graças à representação comercial, ele conseguiu formar os dois filhos: Renato fez o curso de engenharia civil em São Paulo e Soraya, fisioterapia em Presidente Prudente.
Durante a carreira, a aptidão para as vendas valeu ao representante títulos de honra ao mérito, entre os quais destacamos o conferido pela empresa Acosta Atacado e pela Associação Sul-mato-grossense de Supermercados (AMAS), esta que em 1998 prestou-lhe homenagem pelo pioneirismo no atendimento ao setor supermercadista de nosso Estado. Senhor Machado ganhou ainda diversos outros tipos de prêmios, tais como premiações em dinheiro e relógios de ouro. Só na então empresa Sanbra, ele trabalhou por 18 anos, onde também deixou registrado sua exemplar atuação como representante.
Entre as representadas, uma merece destaque, que é a Josapar, a qual está há 22 anos sob os cuidados e competência do senhor Machado. Outro fato marcante é que o representante foi o primeiro a vender a margarina Claybom no Estado.
Querido por todos, adorava dar caronas para os seus colegas de profissão, principalmente os que estavam iniciando na carreira. Inclusive, senhor Machado indicava clientes para os seus companheiros de pasta.
‘Um sacrifício divertido’
Essa é uma das definições do senhor Machado para a representação comercial. Os episódios engraçados deram um colorido especial à vida do representante. Ele conta que durante a Revolução, em uma de suas idas para Bela Vista, onde tinha como um de seus clientes o Quartel, depois de um dia inteiro de trabalho, foi para o Hotel descansar. Uma patrulha do Exército chegou no local e passou a revistar todos os quartos. O chefe da patrulha pediu para revistar o carro do senhor Machado, quando encontrou um vidro de pimenta malagueta.
Para espanto do representante, o chefe da patrulha confundiu o vidro de pimenta com uma bomba. Foi dada voz de prisão contra Machado. Quando os oficiais avistaram o prisioneiro, começaram a rir de toda aquela equivocada situação. A prisão virou motivo de piadas por muito tempo entre os viajantes. Depois deste episódio, Machado passou a comer pimenta só em casa.
Outra história que arrancam gargalhadas do senhor Machado até hoje ocorreu quando ele retornava de viagem de Nova Andradina, em companhia de mais três companheiros. Quando o veículo fusca dos representantes foi ultrapassar um caminhão boiadeiro, a vaca soltou “merda” para todo lado, caindo no peito do amigo do senhor Machado que viajava no banco de passageiro da frente. Tiveram que parar numa poça d’água para que o viajante se lavasse. Foram só risadas.
Além da representação comercial, senhor Machado ainda cita como grandes paixões de sua vida o time do Flamengo e quiabo. Ele adora quiabo, um prato que come todos os dias e não enjoa.
Reconhecimento
Em 2005, devido às complicações no tratamento da catarata, senhor Machado perdeu a visão do lado esquerdo. Isso lhe dificultou a continuar com suas viagens.
Neste ano, devido ao agravamento do Diabetes, Machado perdeu também a visão do olho direito. A cegueira fez com que o representante perdesse o que ele mais amava em sua profissão: a liberdade.
Sua filha caçula, que há dez anos já cuidava da parte administrativa da empresa, passou também a visitar os clientes da Capital. Mas, ela faz questão de fazer relatórios diários, colocando o seu pai a par dos negócios.
Com seu afastamento das estradas desde 2005, as amizades que ele havia conquistado ao longo de sua carreira também foram se perdendo. Restaram somente dois grandes amigos, que fazem questão de visitá-lo constantemente. Ele cita com carinho os nomes dos amigos Antônio Ourives, o “Presunto”, e do compadre Moacir Rios.
Quando recebeu a notícia de que seria homenageado pelo SINRECOMS e CORE-MS, Machado ficou surpreso. Ele estava se sentindo desprezado pela categoria desde que parou de viajar. “Muitas pessoas da sociedade não me deram mais importância”, desabafou. Mas, com o reconhecimento feito pelas entidades, senhor Machado teve a oportunidade de compartilhar a sua digna história de vida e profissional com todos os seus companheiros de pasta, tornando-se exemplo de respeito e amor à profissão.
Fonte: Assessoria de Comunicação do CORE-MS